A Incrível Capadócia por Rafaela Hernandes

Ah Capadócia, sonho de consumo de tantos viajantes. Para entender melhor como eu cheguei lá e quanto tempo eu fiquei, volte nesse post. 

Meu voo chegou em Kayseri as 23h30 do dia 11 de setembro (sim, peguei um voo dia 11 de setembro). Como de Kayseri para Göreme não há nenhum tipo de transporte, é necessário reservar um transfer com antecedência. Dito isso, preciso abrir um parênteses enorme pra explicar como cheguei no tranfer contratado.  

(Acontece que eu teria apenas 2 dias para ficar na Capadócia e por isso não teria tempo de pesquisar preços de tour nas agências físicas, teria que contratar tudo com antecedência, o que é bem ruim porque pela internet todo mundo cobra caro falando que é o melhor preço da região e quando você chega lá vê que tem um monte de lugar mais barato. Enfim, após pesquisar muito, decidi que durante a minha estadia na Capadócia daria para fazer o Green Tour, o Red Tour e, claro, o passeio de balão. O passeio de balão varia de 80 Euros ao infinito. No entanto, as agência que achei cobrando esse valor, nenhuma me passava muita confiança. E vamos combinar, passeio de balão é melhor ter BASTANTE confiança. Paralelo a essa pesquisa, também buscava um transfer de Kayseri para Göreme e os valores estavam girando em torno dos 15 e 20 Euros. Fora isso, o Red Tour e o Green Tour estavam variando de 30 a 50 Euros. 

Foi ai que entrei em contato com o hotel que eu iria me hospedar, o Royal Stone Houses. Eu já tinha reservado com eles e já tinha visto que eles também tinham uma companhia de balão muito bem recomendada, mas o valor era bem acima da média, em torno dos 150 Euros. Perguntei se eles tinham algum transfer para me conceder daí eles explicaram que se eu comprasse um ou mais passeios com eles, o transfer sairia de graça. Os passeios no caso, por eu me hospedar no hotel, teria um desconto. O balão ficaria por 130 Euros, o Red Tour por 30 Euros e o Green Tour por 35 Euros. O transfer gratuito. Fazendo as contas e sabendo da boa reputação deles, cheguei à conclusão que seria minha melhor opção e que me daria menos dor de cabeça. Reservei tudo com eles por 195 Euros no total. No final, não achei tão caro, me parece que para voar de balão aqui em SP, em Boituva é 300 reais por pessoa… 

Daí pela primeira vez na vida, quando sai do aeroporto tinha alguém segurando uma plaquinha com o meu nome HAHAHAHA. Ok, tinham outros nomes na plaquinha mas o meu tava lá e isso que importa. A van era bem confortável e foi lotada. O percurso até Göreme levou cerca de 1 hora. Cheguei bem podre no hotel, passava da 1 da manhã e meu passeio de balão já sairia na manhã seguinte, eu precisaria acordar as 4h30. O hotel é muito bom, a cama era muito confortável e talvez tenha sido o melhor lugar que me hospedei na vida (mas vamos relevar que eu fiquei me hospedando em hostel por muito tempo né? Meu parâmetro é bem baixo). Eu reservei 3 noites no Royal, por 180 Reais porque, como o check out é de manhã e meu passeio no último dia acabaria umas 18h, eu queria garantir que ia poder tomar banho lá antes de pegar o ônibus para Pamukkale. Preferi pagar uma noite a mais para meu conforto. De qualquer forma, indico demais o hotel.  

O visual da cidade de Göreme

Dormi pouco mas dormi bem, acordei bem empolgada as 4h30 para o voo. O café da manhã já estava servido e era bem caprichado. Por volta das 5h, chegou o pessoal que ia andar de balão pela Royal mas que não estava hospedado no hotel (eles também tem direito ao café da manhã ali). As 5h30 mais ou menos saímos. Tinha lido em muitos lugares que é bem frio na madrugada da Capadócia mas achei que estava bem quente e sai sem blusa.  

Conforme você vai se aproximando do local que saem os voos, é muito legal de ver os pilotos soprando fogo dentro dos balões ainda no chão e eles acendem como se fossem luzes pisca-pisca. Chegando no nosso balão notei que um diferencial da Royal é que eles voam com apenas 12 pessoas no cesto, ficam 3 em cada canto. Outras empresas colocam de 14 até 20 pessoas no cesto. Ai já vi que meu dinheirinho foi bem gasto. Quando o piloto começou a esguichar os jatos de fogo bate uma quentura enorme em todo mundo que tá em baixo do balão e já ai fiquei feliz por ter ido sem blusa de frio. Finalmente, eles soltaram as cordas e começamos a voar. 

Balões subindo

O piloto começou a subir aos poucos mas já conseguíamos ver no céu dezenas ou talvez centenas de balões, algo totalmente surreal (as fotos falarão por si mesmas). O voo acontece sobre o Red Valley e o Rose Valley e realmente impressiona a paisagem pelas formações rochosas já típicas da Capadócia, que lembram torres. Parece em partes o que havia visto no Salar de Tara em San Pedro do Atacama, no Chile (leia o relato aqui). O balão foi indo mais alto e o sol começou a surgir atrás das montanhas, iluminando os vales e deixando a paisagem bem colorida por causa dos muitos balões no céu. Segundo meu piloto, chegamos a altura de uns 800 metros.  

O nascer do sol na Capadócia

Como os balões voam de acordo com a direção do vento, todos eles acabam descendo mais ou menos na mesma região. É um trabalho de equipe o momento do pouso, olhando pra baixo conseguimos ver as caminhonetes todas já indo em direção aos balões e, nesse momento, o piloto já começa a ir descendo devagar. Quando estamos bem próximos do chão, a caminhonete começa a manobrar de forma que o cesto pouse exatamente em cima da carroceria. O meu pouso foi muito tranquilo, nem ao menos um baquezinho foi sentido. Daí, usamos os “degraus” do cesto para pular para fora, com ajuda é claro da equipe que estava na caminhonete. 

O segredo do balão desinflar é um buraco enorme bem no topo dele, ali a lona é aberta e todo o ar vai saindo. Quando tudo desinfla, a equipe dobra a lona inteira com a maior paciência do mundo e guarda dentro do cesto. Claro que não ficamos até o final desse processo, mas consegui ver outras empresas fazendo isso. No final do voo, ainda ganhamos medalha e champanhe para comemorar! Enfim, por causa de toda essa experiência fantástica, indico demais a Royal. Se você for para a Capadócia, voe com eles.  

Pouso suave do balão

Voltamos para hotel era umas 7h30 (o voo tem duração mais ou menos de 1 hora) e o meu primeiro tour, o Red Tour, sairia as 9h, então tive tempo de dormir mais uma horinha. Confesso que foi bem cansativo fazer o balão e o Red Tour no mesmo dia, fiquei com muito sono. Hoje eu teria feito o Green Tour no mesmo dia do balão porque o Green, embora seja mais longe, a gente fica bastante tempo na van e dá pra dormir, o Red Tour, as distâncias são pequenas e não dá pra cochilar. Aqui abaixo, a imagem mostra as regiões que cada tour percorre. 

Bem, vou tentar dar uma visão geral do que você vê no Red Tour. Primeiro, ele leva esse nome porque, você notará nas fotos, a paisagem é predominantemente vermelha. Visitamos predominantemente as vilas ou cidades cravadas dentro das rochas. Esses lugares tiveram diversas finalidades, quando os cristãos viviam na região, usavam as cidades como grandes escolas para compartilhar conhecimento ao mesmo tempo que, por serem lugares altos, eram usados também como torres de vigia, prevenindo contra ataques romanos. Depois que os cristãos deixaram a Turquia, essas cidades de pedra serviram por um tempo de abrigo para caixeiros viajantes e outros peregrinos. Hoje, a maioria virou museu e outras servem como hotéis e restaurantes para atrair turistas. Tudo isso é fiscalizado pelo governo, que faz inspeções periódicas nas estruturas para verificar se elas não vão cair na cabeça de ninguém.  

Alguns dos lugares mais legais visitados nesse tour foram: o Castelo de Uchiçar, o Göreme Open Air Museum, o Love Valley (sim, tem esse nome porque as esculturas de pedra tem formato de pênis) e Pasabag, que é onde ficam as pedras com formato de chapéu de fada. Como disse no meu post introdutório a Turquia, a Capadócia é linda, mas a paisagem se repete muito e isso acaba enjoando um pouco, nesse Red Tour dá pra perceber isso logo de cara. 

Castelo de Uchiçar
Ao fundo, novas formações rochosas. Com o passar do tempo, as atuais ‘torres’ cairão mas sugirão novas.
Göreme Open Air Museum
Göreme Open Air Museum
Love Valley (risos)
Dizem que cada “olho” desses é um pedido que alguém fez e depois amarrou na árvore. Depois minha guia falou que muitos comerciantes, na verdade, eles mesmos amarram pra deixar a árvore bonita e atrair turistas.
Pasabag, os chapéus de fada
As “Três Belezas da Capadócia”

A minha guia do tour era uma fofa e falava um inglês perfeito, que facilitou muito meu aprendizado sobre a região. Além disso, também tivemos uma pausa para almoço que já estava incluído no pacote. Depois do almoço eles param também numa loja de esculturas de argila e vemos como são feitos os trabalhos manuais. Na verdade, é dispensável, só levam a gente lá pra gastar dinheiro, eu sai rápido. Por último, toda parada feita era uma garrafa de água comprada, leve muitas moedas HAHAHA o calor estava de matar. O tour acabou por volta das 17h30 e, assim que cheguei no hotel, tomei banho e dormi. Apaguei completamente. Dormi acredito que das 19h até as 8h da manhã seguinte. Eu tava bem cansada mesmo.  

Acordei muito bem no dia seguinte, tomei um café da manhã de respeito e aguardei a minha van para o Green Tour. O Green Tour tem esse nome porque visitamos as regiões próximas ao Vale de Ihlara, área verde devido a proximidade do rio. Quando a van chegou nem acreditei: a guia seria a mesma do Red Tour e eu fiquei bem feliz. Outra coisa que notei nesse dia foi que a maior parte do grupo eram de turcos, de estrangeiro só eu, um indiano e uma filipina. Isso fez com que a atenção da guia ficasse mais sobre eles mas, mesmo assim, consegui extrair bastante informação. 

A primeira parada do passeio é na cidade subterrânea de Derinkuyu, com 55 metros de profundidade. Ela também foi feita pelos cristãos, mas servia apenas como esconderijo, eles não moravam lá. A cidade foi toda escavada a mão e tem um ótimo complexo de ventilação, é bem fresquinho lá dentro. A profundidade, no entanto, fez uma galera passar mal. Saindo de lá, fomos até a cidade de pedra de Ihlara, bem parecida com o Open Air Museum em Göreme. Na verdade, imagino que todas essas cidades (e tem muitas delas na Capadócia) sejam bem parecidas, pessoal que faz turismo com carro ali na região deve conseguir explorar muita coisa.  

Cidade subterrânea de Derinkuyu
Cidade subterrânea de Derinkuyu
Cidade de pedra de Ihlara
Cidade de pedra de Ihlara
Cidade de pedra de Ihlara
Cidade de pedra de Ihlara e a vista para o vale

Paramos para almoçar e depois seguimos para o Vale de Ihlara. São dois paredões de pedra que se estendem por quilômetros, no meio passa um pequeno rio e muitas arvores ao redor. Fizemos uma  trilha de 2km ali e, embora estivesse muito quente, foi um passeio bem agradável. Ainda passamos mais em um lugar que vendia joias com as pedras preciosas da região, apenas mais uma tentativa de fazer turista gastar dinheiro. O fim do passeio é no Pigeon Valley que tem uma vista muito bonita pra Göreme e Uchiçar, dá pra tirar muitas fotos legais. 

Paredões do Vale de Ihlara
Paredões do Vale de Ihlara
O rio bem tímido que passa no meio do Vale de Ihlara
A vista do Pigeon Valley
A vista do Pigeon Valley

Me deixaram novamente no hotel já era umas 18h30 e, como eu tinha pago a noite extra, pude tomar um banho e dar uma relaxada antes de pegar o ônibus noturno para Pamukkale, o que foi ótimo. Como uma última cortesia, me deram uma carona até a rodoviária da cidade, que não é bem uma rodoviária, é um lugar onde os ônibus param. Meu ônibus era pra sair as 20h mas ele só apareceu as 20h40… Mas enfim, o que importa é que estava seguindo para o próximo destino: Pamukkale!

One thought on “A Incrível Capadócia por Rafaela Hernandes”

  1. Amei Rafa.. Vou ser sincera: eu não sabia quase nada sobre a Capadócia, a não ser pelos balões. As fotos são lindas! Se um dia eu for pra lá, você vai me fazer um roteiro ok? rsrs Bjs

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