Istambul – Parte 2 por Rafaela Hernandes

Segunda parte tem:

  • Palácio Dolmabahce;
  • Cisterna da Basílica;
  • Banho Turco;
  • Palácio Topkapi;
  • Grand Bazaar.

Terceiro dia em Istambul, era um domingo, meu destino seria o Palácio Dolmabahce. Para isso fui até a estação de tram de Kabatas, que é o ponto final da linha. Dali é só andar mais alguns minutos que já dá pra avistar o Palácio. Cheguei razoavelmente cedo, por volta das 10h30 e quase não tinha fila. Comprei ingresso para entrada tanto no palácio quanto no harém.  

Fiquei algum tempo deslumbrada com os jardins e com os portões que dão direto nas águas no Bósforo, fiquei pensando como deveria ser poder acordar e poder tomar um banho de mar sem precisar sair do quintal de casa. Ia entrar no palácio mas apareceu um grupo bem grande de turistas chineses e pensei que ia preferir uma visita mais calma. Aliás, é incrível a quantidade de turistas chineses em qualquer lugar  do mundo desde que não seja América do Sul e provavelmente África. 

Entrada do Palácio Dolmabahce
Jardins no Palácio Dolmabahce
Portões que dão direto nas águas do Bósforo.

Bom, fui contornando o Palácio pela esquerda onde haviam algumas gaiolas com galinhas e outras aves e muitos gatos andando pelo jardim. Tinha um prédio exclusivo para guardar relógios de época o qual não fiquei muito tempo. Mais à frente, a entrada do harém. Vi que tinham horário pré-definidos para visitas guiadas, então fui até o prédio seguinte que era uma galeria de arte. Me lembrou muito a Galeria Nacional em Londres, só que bem menor e as pessoas pintadas nos quadros tinham traços árabes e não europeus.   

Nisso deu o horário e voltei para o harém, iniciando a visita com o guia em inglês (um inglês sofrível e carregado de sotaque). Esse foi um dos passeios mais interessantes que eu fiz em Istambul porque descobri que várias coisas que achávamos sobre sultões na verdade não são bem assim. O harém não funcionava como bordel do sultão, na verdade ele tinha “apenas” 4 mulheres e cada uma delas tinha seu próprio apartamento: quarto, banheiro, sala de estar para receber visitas e sala de oração. Ali também fica os aposentos das crianças, do próprio sultão e da mãe dele, além de um quarto para visitas. Resumidamente, uma casa de família.  

Fatos históricos a parte, o lugar é extremamente luxuoso, não deixa a desejar em nada se comparado por exemplo com o Castelo de Windsor, que é o único parâmetro que eu tenho Infelizmente não se pode tirar fotos lá dentro mas me disse que no site oficial tem algumas.  

Por fim, fui ao prédio principal mas para meu azar estava mais cheio do que quando cheguei… Bom, pelo menos o harém estava relativamente vazio. Ali nós podemos ver mais onde o sultão levava sua vida política, por assim dizer, onde fazia suas reuniões e onde ficava o salão imperial, que aliás é de cair o queixo, um lustre gigantesco e quase tudo coberto de ouro (ou pelo menos era dourado). Antes da saída, uma lojinha de lembranças onde eu só perguntei o preço de um item e foi o suficiente para o cara que trabalhava lá me encher de perguntas e ainda chutar minha idade para 30 ou 31 anos! De modo firme disse que já era comprometida e fiz minha pergunta de novo: qual o preço do tal item. Ele respondeu, era caro e eu saí. 

Ainda fiquei mais um tempo nas redondezas do palácio porque realmente é muito bonita a arquitetura, rende belas fotos. Talvez tenha ficado por ali mais uma hora e fui embora. A fila agora estava pelo menos o triplo do horário que eu cheguei e fiquei feliz por ter ido mais cedo.  

Palácio Dolmabahce
Palácio Dolmabahce

Voltando para o Sultanameht, andei por algumas ruazinhas atrás do Parque Gulhane para fazer algumas compras. Foi legal porque estava tudo bem vazio e eu pude conversar bastante com os vendedores (dessa vez propositalmente) para entender um pouco mais dos costumes locais. Na verdade estava fazendo um teste: achei que os homens são mais chatos quando você se identifica como brasileira, então ali eu me passei por italiana. Não sei se foi coincidência ou se realmente o problema é com o Brasil mas os dois vendedores foram super respeitosos. Para um deles, depois de um tempo falei que estava fazendo o teste e que na verdade eu era brasileira e ele disse “bem que eu achei estranho, seu inglês não tem sotaque italiano” HAHAHA mas enfim, comprei tapetes e lenços e fui embora feliz.  

Rua em que fiz compras!

A seguir, me dirigi para a Cisterna da Basílica. Esse lugar eu tinha visto no filme Inferno, aquele baseado no livro do Dan Brown e achei que seria legal. Foi engraçado que eu demorei muito para encontrar a entrada desse lugar, embora fosse a cisterna da Hagia Sophia, ela fica um pouco distante de lá. Enfim, no filme o lugar é muito mais legal. Não tinha muita água então o efeito de “espelho” não deu muito certo. O que o deixa mais interessante são as luzes amareladas ou avermelhadas que deixam a iluminação bonita. O bom também é que lá dentro era bem fresquinho. 

Cisterna da Basílica

Voltei para o hotel para deixar minhas compras e depois disse minha meta era ir ao Grand Bazaar. Esqueci eu apenas que era domingo e quando cheguei lá estava tudo fechado. De qualquer forma achei que valeu a pena porque jamais ia conseguir ver aquele lugar vazio de novo. Bom, não tinha mais o que fazer, estava voltando quando passei em frente a um dos lugares que tinha lido a respeito na internet: um banho turco bem tradicional chamado Cemberlitas. A ideia de ir a um banho turco surgiu alguns dias antes da viagem e na verdade eu ainda estava muito em dúvida se iria ou não mas achei que a circunstância pediu que eu passasse por aquela porta. 

Assim, não é barato, acho que foram 115 Liras mas agora eu separo minha vida antes e depois do banho turco HAHAHA! Bom, calma, mulheres e homens fazem a coisa separadamente então não se apavore. Tudo começa com o pessoal de dando uma toalha e um bquini (só a parte de baixo). Você deixa suas coisas num armário e é encaminhada para uma sauna. O local tem um mármore enorme no centro que o pessoal fica deitado e em cima tem uma cúpula bem grande. Daí você fica ali por uns 15 minutos e vem uma mulher que primeiro faz uma esfoliação completa no corpo, depois ensaboa tudo e enxagua. Por último ela ainda lava seu cabelo. Sim, é como se fosse um lava-rápido de pessoas. Depois se você quiser pode ficar mais tempo na sauna ou pode tomar um banho de água mais gelada para refrescar e depois ir embora. Você meio que decide quanto tempo vai passar lá, que pode variar de 40 minutos a 1 hora. Enfim, foi uma experiência única mas não faria novamente HAHAHA. 

O Banho Turco

No hotel, tive que lavar meu cabelo de novo, dessa vez com condicionador pra ele ficar um mínimo apresentável. Jantei e já preparei a minha mala pois teria que fazer o check-out no dia seguinte mas ainda teria algumas horas para aproveitar Istambul.  

Acordei, fiz check-out e deixei minhas malas no hotel. Segui para o Palácio Topkapi por volta das 9h30, queria chegar cedo de novo pare pegar o mais vazio possível. Também comprei ingresso para o Palácio e para o Harém, queria muito comparar com o Dolmabahce. O Topkapi, pra começar é um Palácio mais antigo. Você percebe isso pela arquitetura e também pelo estado de conservação, muita coisa está em restauração ou passando por reformas.  

Entrada do Palácio Topkapi

Reparei que no Topkapi tem mais área que parece museu: exposição de utensílios de cozinha, armas antigas, incluindo espadas e espingardas, uma área contanto um pouco da história do islamismo na Turquia. Em uma outra parte há uma área com um grande terraço e espaços parecidos com salas de estar, aparentemente, onde as famílias podiam passar um tempo livre ou recebendo visitas. A vista para cidade e para o Bósforo também são muito bonitas. 

Palácio Topkapi
Palácio Topkapi

O harém também está passando por muitas restaurações mas deu pra perceber que não era nem de longe tão luxuoso quanto o Dolmabahce. Não é a toa que o Topikapi foi substituído pelo Dolmabahce para servir de lar a família do sultão. O mais legal mesmo é reparar nos azulejos coloridos do palácio e principalmente no salão imperial. 

Salão Imperial no Topkapi
Harém do Topkapi
Harém do Topkapi

Quando me dei por satisfeita, sai do Topkapi e voltei no Grand Bazaar dessa vez pra ver ele aberto, claro. E bem, é uma loucura. São várias ruazinhas com lojas e mais lojas, facilmente você se perde por lá. Mais uma vez não tive tanto problema com vendedor por já ter cara de turca. Um cara chato veio insistente querendo tomar um chai comigo mas dei um chega pra lá nele bem rápido. Acho que só foi esse e o cara da loja de conveniência lá do Dolmabahce que foram mais inconvenientes.  

Claro que fiz compras por lá, não achei nada muito barato mas também não muito caro, preços ok e você pode negociar com a maioria dos vendedores. Na verdade, é bem divertido explorar lá dentro, mesmo que você não compre nada.  

Entrada do Grand Bazaar
Grand Bazaar

Com minhas horas em Istambul se esgotando, fui comer uma maravilhosa pizza turca e depois fiquei fazendo hora no hotel até dar meu horário. Meu voo para a Capadócia sairia as 21h e por isso sai do hotel as 17h30 rumo ao aeroporto de tram. Levei mais ou menos 1h30 até chegar no aeroporto e mais uma meia hora pra andar até o terminal doméstico.  

No geral, Istambul me cativou muito e encontrei exatamente o que estava buscando.  

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