Istambul – Parte 1 por Rafaela Hernandes

Na primeira parte do relato vai ter:

  • Imigração;
  • Hotel em Sultanameht e a região;
  • Mesquita Azul;
  • Passeio no Bóforo;
  • Hagia Sophia.

Eu não me lembro ao certo em que momento eu decidi que queria visitar a Turquia. Talvez tenha sido por causa da Capadócia ou talvez tenha sido no momento em que descobri que lá havia ruínas de antigas cidades romanas. Só sei que muita gente falou que eu tava pirando porque “a Síria é ali perto e houve atentado terrorista na virada do ano em Istambul”. Bom, tem atentado terrorista o tempo todo em Paris e nem por isso parou de ter turistas indo pra lá, certo?

Enfim, o foco do relato é Istambul. Cheguei lá por volta dumas 15h do dia 8 de setembro, uma sexta-feira depois de muitas horas de voo e de uma longa escala em Dubai. Durante o voo de Dubai para Istambul o avião fez uma super curva pra não passar em cima do espaço aéreo do Iraque e da Síria, rs.

A imigração foi super tranquila, não me fizeram nem uma pergunta, nem ao menos quanto tempo eu ia ficar. O aeroporto de Ataturk, embora não tenha uma super estrutura, é muito bem sinalizado e em pouco tempo encontrei casas de câmbio e logo em seguida o metrô. Não havia mapas das linhas na porta da estação e nem em nenhum outro lugar que eu tenha ido, no entanto, viajante que é viajante se previne e eu tinha impresso uma cópia do mapa pra levar comigo. Comprar o bilhete foi bem simples, falei disso no meu post anterior. Peguei o metrô, do metrô fiz uma baldeação pro tram e o tram me levou diretamente para Sultanahmet, o bairro em que estava hospedada e também onde ficam as principais atrações de Istambul.  

Me hospedei no hotel Old Mile Suits e NÃO indico. As paredes são muito finas e dá pra escutar o movimento nos outros quartos. De qualquer forma, foi suportável e passei muito bem as 3 noites lá. A localização principalmente ajudou muito a locomoção por toda a cidade. Aliás, as ruas por essa região são muito bonitinhas, estreitas e de paralelepípedo, não passam muitos carros e são cheias de restaurantes.  

O hotel Old Mile Suits

Como era ali umas 16h e pouco, resolvi ir até a praça de Sultanahmet e ver como era. Muitas árvores com um belo chafariz bem no meio e muitas flores. De um lado a Mesquita Azul e do outro a Hagia Sophia (ou Aya Sofya). A quantidade de pessoas ali das mais diversas nacionalidades era impressionante, cada um se vestia de um jeito e cada um falava um idioma diferente. Talvez ali mesmo eu já tenha morrido de amores por Istambul.  

Para minha surpresa, a Mesquita Azul ainda estava aberta para visitação, eu não sabia ao certo até que horas funcionava mas como ainda estava claro o dia e era de graça, fui até lá. Primeiro, havia um pátio com alguns murais expostos e notei que a entrada para visitantes era do outro lado. Um cara na porta me deu um lenço para cobrir a cabeça e é solicitado tirar os sapatos para entrar. Por dentro, a Mesquita é toda colorida e o teto é muito alto. Alguns candelabros ficam pendurados a partir das enormes colunas e das paredes com algumas velas acesas para ter iluminação, além da luz natural. Tudo muito impressionante.  

Os visitantes tem uma área especifica em que podem circular. Quem vai até lá para orar ficam em outra área, nesse caso, homens e mulheres ficam separados. Foi triste ver que a área para mulheres era minúscula e toda fechada. Já a área para os homens era praticamente metade da mesquita e toda aberta, dava pra ver eles se ajoelhando. Isso realmente foi um grande choque pra mim, mas vida que segue.  

Mesquita Azul
Mesquita Azul
Mesquita Azul

Saí da Mesquita e andei pelas ruas adjacentes, passei numa rua que era um mercado a céu aberto e me preparei para enfrentar os vendedores chatos que tinha lido a respeito antes. Para minha surpresa, até que não foi tão difícil, foram poucos que tentaram falar comigo, alguns se ofereceram para tirar foto mas resolvi não arriscar a ser cobrada por um favor. No geral ignorei todos e fingi que não entendia nada.  

Depois passei pelo antigo hipódromo de Constantinopla, bem ao lado da Mesquita Azul, que na verdade de hipódromo mesmo sobraram apenas os três obeliscos centrais. Fiquei mais um tempo na praça e fui passear no Parque Gulhane, que fica atrás da Hagia Sophia. Foi um agradável fim de tarde observando as pessoas indo e vindo ali, fiquei até escurecer. Depois fui procurar algum lugar para comer por entre as ruazinhas estreitas próximas ao meu hotel. Estava satisfeita com as minhas primeiras horas na Turquia e deitei a cabeça no travesseiro bem feliz. 

Parque Gulhane
Parque Gulhane

No dia seguinte, minha missão seria fazer o passeio no Bósforo. O Bósforo é um estreito que divide Istambul entre a parte europeia e asiática. Ele começa no Mar de Mármara e termina no Mar Negro. Eu li que muitas agências no Centro da cidade vendem esse passeio, mas que também dava pra comprar direto no porto em que saem as embarcações por um preço muito mais amigo.  

Acordei por volta dumas 9h, tomei café da manhã regado ao péssimo café turco (me lembrou muito o café solúvel americano que só por Deus) e homus. Sai, embarquei na estação de tram de Sultanahmet e fui até a estação de Eminonu, do lado da Ponte de Gálata. Desembarcando, você logo vê o ponto onde saem as embarcações e uma casinha bem ao lado onde vendem os bilhetes. Depois de algum tempo, comprei um percurso que funcionaria assim: as 10h sairia dali e iria até o último porto do Bósforo, até praticamente o Mar Negro, percurso que demora de 1h30 a 2h. Depois teria que esperar as 15h, o primeiro horário disponível para voltar para o centro. No total, seriam quase 7 horas de passeio por apenas 25 Liras. Isso não estava nos meus planos, pensei que seria algo muito mais rápido pois, ainda naquele dia, queria fazer mais coisas que agora talvez não daria tempo de serem feitas por causa do horário que eu iria voltar. Depois descobri que tinha sim um passeio de apenas 2 horas por 15 Liras que saia a tarde, as 15h ou 16h, não lembro ao certo. Mas enfim, já tinha comprado o passeio longo e assim seria. 

O barco era bem espaçoso e tinha dois andares, com certeza caberia ali facilmente umas 300 pessoas ou mais. Mas na real, estava bem vazio e as áreas externas eram as mais disputadas. As águas do Bósforo são bem escuras mas de um azul profundo. Conforme o barco vai andando você consegue ver o quão grande é Istambul mas a gente acaba se focando apenas naquele centro histórico. No geral, a cidade é muito bonita vista dali. Existem 3 pontes que cruzam o Bósforo, ou seja, ligam a Europa a Ásia e, durante o percurso, passamos por duas delas e vemos a última de uma certa distância. Conforme vamos nos aproximando do Mar Negro, percebe-se a quantidade de casas e prédios diminuindo. Embora a paisagem seja um pouco repetitiva, é indescritível a sensação de estar ali entre dois continentes. Fanáticos por geografia irão me entender.  

Uma das pontes que cruzam o Bósforo
O Castelo Rumeli visto do Bósforo
A última ponte antes do Mar Negro

A última parada é numa vila chamada Anadolu. Achei fofo que tem algumas casinhas coloridas com píer direto nas águas do Bósforo e tinham pessoas nadando por ali. Tem muitos restaurantes e lojas de presentes e também as ruínas de um antigo castelo chamado Yoros no alto de um morro. Estava com uma menina chinesa que conheci no barco e resolvemos ir até lá. A subida bem longa e íngreme e o sol escaldante ajudou a piorar um pouco a situação. Paramos para comer no meio do caminho e descansar. Chegando no topo do morro, o castelo em si não é muito impressionante, são basicamente duas torres e não se pode entrar. Mas a vista dali compensa bastante.  

Descemos e ainda sim tive muito tempo livre na cidade esperando o horário do barco voltar. A chinesa iria ficar ali mais tempo e iria pegar o barco das 17h. Durante a volta eu acabei cochilando por um tempo e também aproveitei para sentar nos bancos da lateral do barco e você consegue apoiar os pés na grade. Um passeio muito agradável. 

O Castelo Yoros em cima do morro
O Castelo Yoros

Voltei para o centro da cidade e deu tempo de ir até a Hagia Sophia. Achei bem cara a entrada, 40 Liras. Essa mesquita é bem antiga e podemos ver tanto por dentro como por fora que a estrutura está debilitada. Por dentro, está passando por diversas restaurações e por isso tem muitos andaimes atrapalhando as fotos. Diferente da Mesquita Azul, senti que a Hagia Sophia não era um local para orações, me pareceu mais uma espécie de museu. Por outro lado, achei ela maior e com o teto mais alto. Isso talvez se deva ao fato de que a Hagia Sophia tivesse sido construída para ser uma basílica, mas após a queda de Constantinopla virou mesquita. 

Saindo da Hagia Sophia, indo para o lado direito, tem uma entrada a parte que dá acesso aos túmulos de algumas das famílias de sultões. São várias mini-mesquitas que funcionam como mausóleus. Não tive paciência para visitar todos porque é preciso tirar os sapatos para entrar em cada um e, no final, são todos bem parecidos. Depois de andar mais um pouco pela região resolvi encerrar meu dia. 

Hagia Sophia
Os lustres da Hagia Sophia
Hagia Sophia
Hagia Sophia, nota-se os andaimes usados para a restauração

Continua no próximo post!

 

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