Foz do Iguaçu em 3 dias por Rafaela Hernandes

Vamos falar sobre Brasil? *VAMOS*

Esse relato é especial porque foi uma das poucas viagens que fiz acompanhada na vida, com minha amiga Lika <3 A gente queria fazer uma viagem rápida num feriado prolongado e escolhemos Foz do Iguaçu como destino. Isso foi em 2014, fomos no dia 18 de abril a noite e voltamos dia 22 de abril de manhã e direto pro trabalho. Com apenas três dias inteiros para conhecer a cidade, tentei ao máximo otimizar nosso roteiro e deu super certo, aproveitamos bastante. Ah, um pequeno detalhe sobre as fotos: estava usando pela primeira vez uma máquina fotográfica nova e as fotos acabaram ficando com um filtro azulado, infelizmente… Desculpe por isso.

Enfim, por ser feriado prolongado, a passagem não ficou das mais baratas, paguei R$722,00. Nos hospedamos no Chilli Hostel, que gostamos bastante por causa da localização próxima a um terminal de ônibus que nos levava facilmente para qualquer lugar da cidade. Gastei R$120,00 por 4 diárias (como chegamos de madrugada, tivemos que pagar uma noite extra). Infelizmente, pelo que pesquisei, esse hostel não existe mais.

Não vou lembrar ao certo quanto gastei na cidade com os passeios e tudo mais e mesmo que lembrasse com certeza esses preços aumentaram de lá pra cá. Mas no total, com tudo incluso, gastei em torno de R$1.500,00 na viagem inteira.

Chegando no aeroporto de Foz, como era de madrugada, tivemos que apelar para um táxi. Primeira notícia ruim: só há uma empresa de táxi na cidade e o preço é tabelado. Não lembro o valor, mas como o aeroporto é longinho do centro da cidade até que foi ok. Chegamos no hostel direto pra cama.

No primeiro dia fomos pela manhã conhecer a Usina de Itaipu. Como já mencionei, o hostel ficava próximo ao terminal de ônibus e foi a partir dele que fomos para todos os lugares. Era bem simples, entrava no terminal, pedia informação, subia no ônibus e ia. O dia estava chuvoso mas não estragou nosso passeio.

Chegando lá na Usina, há alguns passeios possíveis. Compramos o mais ‘básico’ por assim dizer, que era um de ônibus passando pelos principais pontos, chamado de “Visita Panorâmica”. Tem outros mais caros que você pode entrar dentro da sala de máquinas e conhece mais detalhes do funcionamento, daí vai de acordo com o seu tempo e verba. É importante também comprar com antecedência pela internet esses passeios no site oficial da usina, pois pode acontecer de não ter mais disponível quando você chegar lá. Bem, nesse passeio da “Visita Panorâmica” é possível ter uma visão geral da usina e como ela funciona. Ele para num mirante para os vertedouros que rende muitas fotos legais. Quando eu fui, as comportas estavam fechadas, aliás, quando elas abrem é praticamente um evento pois é muito raro de acontecer, precisa estar com muito excesso de água. No geral, acho que vale a pena conhecer uma vez na vida.

Ônibus que faz o tour pela usina
Vertedouros
Usina de Itaipu (Binacional: Brasil x Paraguai)
Usina de Itaipu

Saindo de Itaipu, pegamos o ônibus de volta ao terminal e do terminal seguimos para as Cataratas, do lado brasileiro. Compramos o ingresso ali na hora mesmo. Antes mesmo de entrarmos no parque, nos ofereceram um passeio de barco que achamos relativamente barato e acabamos por aceitar. A trilha pelo lado brasileiro é curta, em meia hora no máximo você consegue andar por todas as plataformas. No início dela, vamos quedas d’água menores do outro lado da fronteira, que é bem bonito. Mas chegando no final da trilha, damos de cara com a queda principal, a Garganta do Diabo. Não se iluda, não dá pra visitar as Cataratas e permanecer seco. Você com certeza vai querer chegar perto da Garganta do Diabo e é impossível não se molhar. É muito impressionante a vista dali, mas já adianto que a vista pelo lado argentino é muito mais assustadora e explico porque: no lado brasileiro, você vê a Garganta por baixo, já no lado argentino, você vê por cima.

O passeio de barco que compramos acontece na parte de cima das cataratas, isto é, antes da enorme queda d’água. O barco só pode ficar nas “águas brasileiras” embora eu ache difícil definir o que é Brasil e o que é Argentina ali no meio, mas enfim, pelo preço achei legalzinho. O barco faz algumas curvas fechadas deu pra gente se divertir. Antes de ir embora, ainda passei numa lojinha de presentes e comprei um quati de pelúcia. Sim, há muitos quatis por lá e eles são muito fofos.

Quati <3
Vista das Cataratas do lado brasileiro
Garganta do Diabo, vista do lado brasileiro

Vou colocar aqui o link do Google Street View para que vocês tenham a exata noção de como é estar lá. Aliás, tem StreetView em todas as trilhas dos dois lados das cataratas, os melhores lugares deixarei os links.

Passeio de barco, aquela fumacinha já é a queda da Garganta do Diabo, ainda bem que o barco não chega muito perto

Finalizamos com sucesso o primeiro dia, mas tínhamos um dilema. Queríamos ir para as cataratas do lado argentino no dia seguinte, mas não sabíamos qual a melhor forma de ir pra lá. Por sorte, fomos numa pizzaria e o dono nos indicou um transfer e foi a melhor coisa que fizemos.

No dia seguinte, encontramos o tal transfer e tinha mais um pessoal também. Por que achei que valeu muito a pena: na imigração, na fronteira entre Brasil e Argentina, tem uma fila ENORME de carros e ônibus. Não sei se era o dia que fui, só sei que era uma bela fila. O nosso motorista, no entanto, tinha uns esquemas. Ele simplesmente recolheu nossos documentos, desceu da van e voltou em um pouco mais de 10 minutos com todos os passaportes carimbados e RG’s aprovados. Não sei o que ele fez só sei que economizamos muito tempo nisso.

Chegando na entrada do parque, era hora de botar em prática todas as dicas que pegamos na internet e que escutamos do nosso motorista. Primeiro, preciso contar que o passeio de “batismo” nas quedas d’água, escolhemos fazer no lado argentino por que era mais barato e o barco passa por uns lugares que os brasileiros não podem ir. Agora, pra entender o nosso percurso e a ordem de visitação, vejam o mapinha:

Como dá pra ver, tem muito mais trilha pra andar na Argentina do que no Brasil, tanto que ficamos o dia todo aqui. Mas não se preocupe, as trilhas são em plataformas, você não precisa afundar o pé na lama. Pra conseguir ver tudo e ainda andar de barco foi assim: indo pelo “Sendero Verde” pegamos a trilha amarela, que é o Circuito Inferior e de lá já fomos para o ponto de embarque para fazer o batismo. Nesse passeio, não tem como fazer filmagem com celular ou com câmera que não seja a prova d’água porque molha absolutamente tudo. TUDO. Não tente. Mas fora isso, é uma sensação indescritível tomar banho direto das cataratas, acho que é uma experiência válida e única.

Feito o batismo, pegamos um barquinho gratuito que nos levava até a Ilha San Martin (acesso exclusivo pelo lado argentino) e fizemos a trilha em vermelho. Se olhar no mapa, verá que na trilha vermelha tem duas bolinhas, uma é da Vista de la Ventana mas na outra bolinha você terá uma das vistas mais bonitas que você vai ver na sua vida. Dá pra chegar muito perto das cachoeiras ali daquele lado e é simplesmente incrível.

Vista do Circuito Inferior no lado argentino das cataratas
Vista do Circuito Inferior no lado argentino das cataratas
Passeio de barco, “batismo” nas cataratas
Vista da trilha na Ilha San Martin para o Salto San Martin

Também deixo aqui o link para o Google StreetView.

Seguimos então para a trilha em azul do mapa, que é o Circuito Superior que nos leva ao “Salto San Martin”, um mirante agora com vista de cima daquelas cachoeiras que vimos de frente a partir da ilha.

Vista do Circuito Superior no lado argentino das cataratas
Vista do Circuito Superior no lado argentino das cataratas

Por fim, voltamos para o “Sendero Verde” para pegar o trenzinho, em laranja no mapa, chamado “Tren de la Selva”. O passeio é muito agradável e não é preciso pagar nada a mais para andar nele. Descemos na Estación Garganta e fizemos a trilha em rosa, o Circuito Garganta. Nessa parte foi bem legal porque tinham muitas borboletas pela trilha, minha amiga até fez com que uma delas pousasse em sua mão, muito legal.

Trenzinho
Borboletas amigáveis

No fim da trilha, a chave de ouro: a Garganta do Diabo vista de cima. Nosso motorista tinha nos incentivado a deixar esse local por último porque a maioria das pessoas vão direto pra lá de manhã e as plataformas ficam lotadas. No fim do dia costuma ser mais vazio. Mesmo assim, ainda estava meio cheio quando fomos. Ver as cataratas ali daquele ângulo é belíssimo e assustador ao mesmo tempo. Haviam algumas placas daqueles programas de valorização da vida, já tinha visto desses na Golden Gate e nos Cliffs of Moher mas sinceramente, as cataratas é o lugar mais assustador dentre eles. E o barulho ensurdecedor das águas? Tudo impressiona.

Garganta do Diabo, vista de cima, pelo lado argentino
Garganta do Diabo, vista de cima, pelo lado argentino. Tá afim de um mergulho?

Segue aqui mais um link do StreetView porque sou legal.

Enfim, depois de ficarmos um bom tempo por ali, voltamos para o trem e do trem para o portão principal do parque. Ainda demorou um pouco até nosso motorista voltar o que nos gerou certo receio dele ter esquecido a gente, mas felizmente deu tudo certo. Voltando para o hostel, fechamos a noite num restaurante bem bacaninha no bairro mais movimentado da cidade.

Último dia em Foz estava destinado ao Paraguai. Para isso, pegamos um ônibus também ali do terminal que parava do outro lado da fronteira. Tinha um certo trânsito para atravessar a Ponte da Amizade mas nada muito demorado. E realmente, é uma zona aquilo, não há nenhum tipo de controle na fronteira.

Ponte da Amizade

Bom, não dá pra falar que ‘conhecemos o Paraguai’, andamos somente na Avenida principal ali de Ciudad Del Este, que, como descrito por muitos, parece uma 25 de Março, maior e muito mais suja. Não tinha levado rios de dinheiro pra gastar ali, mas queria conhecer pelo menos um pouco as lojas e ver se os preços realmente valiam a pena. No fundo, não achei grandes coisas mas ainda acho válido o passeio. Acabei comprando apenas uns cremes do Segredo da Vitória pra presentear umas pessoas e pra mim uma paletinha de sombras da Revlon.

Ciudad del Este

Pegamos o mesmo ônibus para cruzar a fronteira de volta e, do mesmo terminal de ônibus, fomos para o Parque das Aves. O Parque das Aves fica do lado da entrada do Parque das Cataratas do Iguaçu do lado brasileiro. No entanto, como no primeiro dia fomos lá apenas no fim do dia, não deu pra visitar os dois juntos então tivemos que voltar nesse outro dia.

O Parque é bem bonito, é como uma floresta dentro duma gaiola gigante onde ficam as aves das mais diversas espécies e nós podemos passar entre elas. Algumas espécies ficam em gaiolas separadas, talvez por não se darem bem com as outras aves. Não senti que os animais ali são mal tratados mas sei que eles deveriam estar soltos na natureza. Talvez se seu pensamento for desse tipo, você não vai se sentir muito a vontade lá (assim como não se sentiria a vontade num zoológico ou num aquário).

Arara
Araras azuis <3
Tucano
Corujinhas

Não demoramos muito por lá e, como ainda havia algum tempinho, convenci a minha amiga a irmos a um lugar que eu só iria se desse tempo mesmo: o Marco das Três Fronteiras. Esse lugar pode não ter graça nenhuma para a maioria das pessoas, mas pra quem se interessa em geografia e assuntos do tipo, vai curtir. Bem, do que se trata? É o encontro das fronteiras do Brasil, Paraguai e Argentina, separadas pelo Rio Iguaçu e pelo Rio Paraná. Em cada uma das pontas, foi feito um pequeno monumento com as cores de cada país e é só isso mesmo HAHAHA. Bom, eu curti mas só porque gosto desses assuntos.

Marco das Três Fronteiras
Argentina à esquerda, Paraguai à direita
Marco das Três Fronteiras

Voltando pro hostel, já em clima de despedida porque teríamos que acordar de madrugada para pegar o voo de volta pra São Paulo e ainda ir direto pro trabalho! Mas são os sacrifícios que temos de fazer pra conseguir encaixar pelo menos mais uma viagenzinha no ano. Gostei bastante de Foz e acho que é um ótimo lugar pra uma primeira experiência em viagens do tipo “natureza”.

Espero que tenham gostado e até o próximo destino!

 

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