São Francisco – Parte 2 por Rafaela Hernandes

Na parte 2 do relato sobre São Francisco, você lerá sobre:

  • Passeio de dia inteiro ao Yosemite Park (furada);
  • Andando de bonde em São Francisco;
  • Tapeada pelo taxista e Coit Tower;
  • Chinatown;
  • Muir Woods e Sausalito.

Um lugar que eu queria muito conhecer na Califórnia era o Yosemite Park. Como não tinha muitos dias, tive olho gordo e comprei pelo Viator (um site que vende passeios turísticos em várias cidades do mundo) um tour de dia todo para lá. Paguei 139 dólares, uma senhora facada, mas achei que valeria a pena. Já tinha feito um passeio desse tipo (no quesito distância) na Patagônia (depois contarei esse relato) e tinha dado super certo. Estando nos Estados Unidos, primeiro mundo, achei que seria legal também. Ledo engano. Primeiro que achei que o passeio saiu tarde. Pela distância, deveria sair as 5h mas foi sair praticamente as 7h. O percurso até o Parque demora 6 HORAS e ainda o motorista fez uma pausa de 30 MINUTOS no meio do caminho. Já tava sentindo o cheiro de furada. A parte boa dessa pausa foi que descobri um snack de bacon puro na loja de conveniência e me afoguei em bacon.

Bacon!

Ok, quando finalmente chegamos ao parque, já mais de 13h, o motorista levou a gente até um mirante para ver o El Capitan, uma rocha branca bem íngreme. Tiramos fotos, ele nos levou para um centro de visitantes e explicou que tinha um ônibus que percorria o parque e tinha algumas paradas. Teríamos por volta de 3 horas livres para conhecer o lugar. Eu me juntei com dois brasileiros que estavam no tour e fomos andar sozinhos.

Descobrimos que o parque é ENORME. Não tínhamos a menor noção do que conhecer ou quanto tempo demoraria em cada trilha. Queríamos ver as sequoias, mas descobrimos que era inviável por causa da distância. Além disso, os rios e cachoeiras estavam praticamente secos por causa do clima. Enfim, aconteceu que a gente atrasou muito e, claro, perdemos o ônibus para voltar.

Mirante do Yosemite Park, El Capitan à esquerda
Yosemite Park
Yosemite Park
Árvores no Yosemite Park

Os dois brasileiros que estavam comigo não sabiam muito bem se virar, senti que se não estivesse com eles, provavelmente ficariam ali. Eu comecei a procurar outros ônibus turísticos que voltassem para SF mas sem sucesso. Inclusive, nesse momento foi a única vez que uma americana foi bem estúpida comigo, perguntei sobre quem tava no ônibus dela, se poderia falar com as pessoas que tinham alugado e ela disse “não, você não pode” bem grossa. Fiquei com um ódio profundo e apenas respondi “obrigada pela sua ajuda”. Incrível como tem gente que não vai mover um dedo pra te ajudar. Enfim…

Fui até a recepção do parque e perguntei já bem preocupada como faríamos para voltar para São Francisco ainda aquele dia. A moça disse que ali passava um ônibus para uma cidade chamada Merced e de lá pegaríamos um trem. Bem nessa hora, o ônibus passou e nós subimos nele. Como ele estava praticamente vazio, o que valeu a pena foi poder conversar com o motorista e conhecer melhor o cotidiano de um morador do interior da Califórnia. Na opinião dele, a costa leste é muito melhor e ele gostaria muito de se mudar para Miami. Ele disse que achava os impostos na Califórnia muito altos. Ele deveria conhecer o Brasil, rs.

Enfim, chegando em Merced, compramos a passagem de trem mas ele iria sair muito tarde. Fomos dar uma volta pela cidade para passar o tempo. A cidade é minúscula e não tinha absolutamente nada para fazer. Por sorte encontramos uma Starbucks e conseguimos comer algo. Estava muito quente, dava pra sentir o calor subindo do asfalto, mesmo já sendo noitinha. Quando finalmente pegamos o trem, descobrimos que na verdade, deveríamos descer na estação de Stockton e de lá pegar um outro ônibus até São Francisco (no bilhete já estava inclusa essa integração). O trem era bem legal, tinha dois andares, foi uma experiência diferente. Chegando na estação de Stockton o ônibus já estava nos esperando.

Trem na cidade de Merced

Acho que em todo esse percurso gastamos facilmente uns 40 dólares. Chegamos em São Francisco eram 00h15 e por sorte, no terminal que descemos, ainda tinha um ônibus para a região que eu estava hospedada. Cheguei no hostel podre e triste por causa de todos esses acontecidos. O Yosemite é lindo mas realmente eu escolhi a forma errada de conhecê-lo.

No dia seguinte, o último que teria na cidade, queria que tudo desse certo, pra variar. Queria conhecer o Twin Peaks, são duas colinas com um mirante muito legal para cidade. Só que pra chegar lá, não tinha ônibus e pra ir a pé seria uma longa caminhada… Resolvi então ir até o centro da cidade de ônibus e de lá pegar pela primeira vez um táxi. O dia estava nublado mas mesmo assim que queria ir até lá.

Para ir até o centro, peguei um dos famosos bondinhos (Cable Car). Para isso, andei até o ponto final dele que era bem próximo do hostel, nas esquinas da Hyde St com a Beach St. Paguei uma passagem bem salgada mas não vou me lembrar quanto, e lá vamos nós. Realmente, nada demais, foi só para viver a experiência de andar pendurada em um bondinho em São Francisco. No centro, acenei para o primeiro táxi que vi. Era um indiano, acredito eu. Expliquei que queria ir até o Twin Peaks. Daí ele me falou “Ah, um lugar alto que você vê a cidade toda?” Daí eu “É, isso mesmo!” Ok, vamos.

Bondinho em São Francisco

Não estava muito prestando atenção no caminho só sei que de repente começamos a subir um morro. Paramos, paguei uns 10 dólares pra ele e desci. Quando desci, a raiva subiu a cabeça. O desgraçado não tinha me levado para Twin Peaks, mas sim, até a Coit Tower. A Coit Tower só conhecia por ter assistido aquele filme Terremoto com o The Rock. É uma torre, em cima de uma colina com vista para cidade, MAS NÃO ERA TWIN PEAKS E TINHA UM ÔNIBUS QUE PASSAVA ALI NA FRENTE. Se ele fez de má fé ou apenas confundiu os lugares, nunca vou saber, só sei que realmente, táxi é sempre furada.

Já que estava lá, achei que no mínimo deveria subir na torre. Teria que pagar mais 7 dólares para isso. Daí foi a gota d’água, comecei a chorar compulsivamente. De raiva, de tristeza por ter dado coisa errado de novo, não sei. Só sei que o cara que estava na bilheteria me viu naquela situação e perguntou o que estava acontecendo e eu expliquei que o taxista tinha me levado pro lugar errado (isso falando soluçando e em prantos). O homem se compadeceu de mim e carimbou a minha mão sem eu precisar pagar para entrar na torre. Nesse momento, de novo passou pela minha cabeça: tem gente ruim no mundo, mas também tem gente boa. Como estava nublado, a vista lá de cima não tava tão bacana mas aos poucos estava me recompondo.

Vista da Coit Tower em dia nublado
Por dentro da Coit Tower
Coit Tower

Saindo de lá, peguei o ônibus que passava ali na frente e fui comer em um restaurante italiano no bairro italiano. Depois de tudo isso, o mínimo que eu poderia fazer era almoçar num lugar bom. Aproveitei que estava ali e fui até Chinatown. É, parece que toda cidade no mundo tem um bairro oriental e eu geralmente tento evitar porque né, já temos a Liberdade aqui em São Paulo. Tirei algumas fotos por lá por que as ruas eram bem enfeitadas.

Chinatown
Chinatown

Daí faria o último passeio em SanFran: Muir Woods e Sausalito. Eu descobri esse lugar por causa de Planeta dos Macacos. Eu queria ver sequoias de qualquer jeito e, já que não tinha conseguido em Yosemite, Muir Woods seria minha segunda tentativa, ainda que as árvores não fossem tão enormes. Paguei 50 dólares nesse passeio também pela Viator.

Atravessamos a Golden Gate em direção ao parque e em meia hora chegamos lá. Já lembrando da tragédia do dia anterior, o guia quando disse que só teríamos 40 minutos pra ficar ali eu já perguntei o que daria tempo de fazer. Ele explicou que a trilha principal é em formato de U e tem 4 pontes para conseguir trocar de lado. Em 40 minutos daria tempo de ir até a 4º ponte e voltar. Mentira, se você quiser aproveitar o lugar, tirar fotos e andar com calma, só deu até a 3º ponte que é a metade do caminho. Como não queria perder de novo o ônibus, não arrisquei. Eu até reclamei com o guia depois na volta e ele me disse algo como “Esse passeio é apenas pra conhecer, se você gostar, pode voltar aqui depois sozinha” isso porque ele não deve pensar que a gente viaja com os dias e roteiros fechados e não tem tempo de voltar duas vezes no mesmo lugar né? Bom, só mais uma prova que as agências e guias de turismo nos EUA querem apenas que você se exploda. Cobram caro e o serviço é um lixo, pronto falei. Bolívia, Peru, Chile, dão de 10 a zero nesse quesito.

Bom, sobre as árvores: realmente, são lindas. Não são as maiores sequoias do mundo, mas com certeza são da família. Os troncos não são tão largos, mas elas são bem altas, achei que valeu muito a pena.

Muir Woods
Muir Woods
Muir Woods
Muir Woods

Depois disso paramos em Sausalito, uma vila do outro lado da baía. Na verdade, não tinha nada pra fazer ali, um pequeno shopping para compras que eu nem entrei, mas fora isso, apenas sentar e olhar a paisagem. Isso de novo me indignou, o tempo perdido ali, poderia ter ficado mais tempo em Muir Woods. Mas ok, já constatado o péssimo turismo proposto pelo país mais capitalista do mundo, já deveria imaginar que levar os turistas pra comprar era prioridade.

Sausalito
Sausalito

Enfim, algumas pessoas do meu grupo quiseram voltar para SF de barco, pagando um ferry de Sausalito para lá. Eu voltei de ônibus mesmo, mas pedi para o motorista me deixar no Palace of Fine Arts. Na verdade, eu nem sabia que esse lugar existia, descobri na ida do passeio por que vi pela janela. Eu não sei explicar direito o que é esse lugar, mas é bem bonito. Uma arquitetura meio grega com várias daquelas colunas características, além dum lago e jardins em volta. Vi que casais fazem ensaio de casamento por ali.

Atravessando a Golden Gate de volta a São Francisco
Palace of Fine Arts
Palace of Fine Arts
Palace of Fine Arts

Já voltei pro hostel em clima de despedida e comecei a arrumar minhas coisas para pegar o ônibus de volta a Los Angeles que sairia no dia seguinte bem cedo. Cheguei em Los Angeles por volta das 14h e quase cogitei ir dar uma última volta em Hollywood porque meu voo saía mais a noite. Por sorte mudei de ideia e fui direto pro aeroporto. Foi uma decisão sábia porque foram muitos metrôs e baldeações até o LAX. Inclusive, foi nesse passeio de metrô que eu vi o subúrbio bem subúrbio de Los Angeles, as casas e pessoas mais humildes. Eu acho importante ver essas coisas quando se viaja porque nenhum lugar é tão maravilhoso quanto parece.

Ônibus do Megabus que fiz o trajeto São Francisco – Los Angeles

Espero que tenham gostado do meu relato sobre a Califórnia, até a próxima!

 

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