Atacama em 5 dias por Rafaela Hernandes

Quero inaugurar o Quinze Dias de Férias com o relato da viagem que mais gostei de fazer até hoje. Espero que gostem!

Entre os dias 23 de Dezembro de 2014 e 4 de Janeiro de 2015 fiz uma viagem pelo Deserto do Atacama, passando pelo Salar do Uyuni e subindo até La Paz. Visto que já faz algum tempo, não me lembro de valores específicos, mas posso dizer que gastei R$2000 em passagens (ida Guarulhos – Calama e volta La Paz – Guarulhos) e levei mais R$2000 para gastar durante a viagem (hospedagem, alimentação, passeios, transportes e alguns presentinhos). Usei pouquíssimo o cartão de crédito e não passei vontade de nada. Consegui essa proeza por dormir em hostel e cozinhar algumas vezes para não gastar com restaurantes. Além disso, embora o Atacama seja um lugar um pouco caro, La Paz é relativamente barata. Muitas pessoas também gostam de combinar esse roteiro com uma visita a Machu Picchu e outras cidades do Peru. Se você tiver entre 20 e 25 dias, pode ser uma ótima aventura. Como eu não tinha todo esse tempo, fiz as viagens separadamente.

Essa viagem pode ser um pouco desgastante fisicamente para alguns. O Atacama é o deserto mais seco do mundo, lembro que meu nariz e olhos ardiam constantemente. Além disso, tem a questão da altitude, que vai ser de 2400m pra cima e a temperatura no deserto, que pode chegar a 30°C ou 40°C de dia e abaixar pra 0°C a noite, esteja preparado pra tudo.

Esse relato é sobre os 5 dias que fiquei no Atacama.

Cheguei por volta das 17h no aeroporto de Calama, o mais próximo de San Pedro de Atacama. O aeroporto é bem pequeno e, logo que saí, haviam diversas vans que faziam o transfer até a cidade. O percurso demorou mais ou menos 1 hora. Visto que a cidade é minúscula, com um mapa previamente impresso, achei meu hostel muito facilmente. Me hospedei no Lackuntur, um hostel administrado por uma senhora e sua filha adolescente, muito simpáticas as duas. Tem uma área comum muito boa e uma pequena piscina. Fiquei em um quarto com dois beliches e o banheiro é do lado de fora, compartilhado com outros quartos.

Aeroporto de Calama
Hostel Lackuntur
Hostel Lackuntur
O quarto que me hospedei

Nessa mesma noitinha, saí pela cidade e acertei praticamente todos os passeios que faria nos próximos dias. O legal é fechar todos com uma mesma agência pra conseguir negociar um precinho mais camarada. Mas pesquise bastante, como é uma agência atrás da outra, acho que entrei em umas seis antes de fechar negócio. Infelizmente não vou me lembrar do nome dela pra indicar pra vocês, mas os passeios são meio que padronizados em todas (embora eu tivesse uma feliz surpresa em um deles, como vocês verão abaixo). Em San Pedro, como qualquer cidade turística da América do Sul, tem muitos turistas brasileiros. Definitivamente, você não ficará com saudades do bom e velho português.

Rua em San Pedro de Atacama

No segundo dia, usei a parte da manhã para explorar um pouco mais a cidade e aproveitei para resolver os últimos assuntos pendentes. À tarde, fiz o primeiro passeio de meio período: o famoso Valle De La Luna. Meu guia fez um pequeno tour de van e parava em pontos estratégicos para caminhadas. Entre elas, passamos por túneis completamente escuros, corredores estreitos entre paredes rochosas, esculturas de pedra e enormes dunas. A paisagem é linda, aliás, essa frase vai se repetir bastante por aqui.

No final do tour, somos levados a um mirante para ver o pôr-do-sol. Com a cordilheira dos Andes ao fundo, é possível ver as montanhas mudando de cor de acordo com a posição do sol.

Túneis no Valle de La Luna
Valle de La Luna
Mirante do Valle de La Luna
Montanhas mudando de cor conforme o sol se põe.

Terceiro dia, escolhi o passeio das Lagunas Altiplânicas, chamadas Miscanti e Miñiques. São duas lagoas a mais de 4 mil metros de altitude ao pé das montanhas. Visual de deixar qualquer um de queixo caído. Nesse mesmo tour, há uma parada em um pequeno povoado para alimentação e descanso e depois seguimos para o Salar de Atacama. Nessa parte do Salar, é como se fosse conjunto de poças d’água revolvidas entre areia e sal e flamingos por todo lado.

Lagunas Altiplânicas
Lagunas Altiplânicas
Flamingos no Salar de Atacama
Salar de Atacama

No quarto dia, fiz uma combinação de dois passeios. De manhã, fui para os Gêiseres Del Tatio. O micro-ônibus do tour passou bem cedinho, pouco antes das 6h. Isso é preciso para vermos os gêiseres com sua potência total, com o vapor bem alto. Foi talvez o passeio que mais gostei. Estava 0°C e senti meus dedos praticamente congelarem (a inteligente aqui foi sem luva). Por sorte, pude esquentar as mãos nos próprios gêiseres. Nesse lugar também tem uma piscina termal, mas eu realmente não tive coragem de entrar por causa do frio do lado de fora. Outra coisa que me fez gostar muito desse passeio foi o guia que levou o grupo para alguns lugares que… Bem, aparentemente não podíamos entrar por risco a segurança hahaha! No caso, se tratava de uma área com gêiseres um pouco diferentes do que vimos antes, estes expeliam terra! O cheiro de enxofre era bem forte, mas muitíssimo interessante ver a natureza em ação. Depois disso, o guia perguntou se, ao invés de visitarmos um vilarejo para compras, preferíamos ver outra coisa mais legal. Óbvio que a maioria escolheu a segunda opção e por isso fizemos uma trilha curta entre rochedos e cactos até uma pequena queda d’água. A trilha era um pouco complicada em alguns momentos e por isso algumas pessoas do grupo acabaram voltando para o micro-ônibus.

Gêiseres Del Tatio
Gêiseres Del Tatio
Gêiseres Del Tatio
Gêiser no lugar ‘proibido’ que o guia nos levou
Gêiseres no lugar ‘proibido’ que o guia nos levou
Trilha entre rochas e cactos
Trilha entre rochas e cactos

Voltamos para a cidade era por volta das 14h e me preparei para sair para o segundo passeio do dia às 16h: Laguna Cejar e Ojos del Salar. Na primeira parada desse passeio, há duas lagoas: uma verde esmeralda muito bonita e a outra que o pessoal entra para boiar. Acontece que a água tem tanto sal que você não afunda. As pedras de sal no chão machucavam bastante o pé e por isso preferi entrar de chinelo. Lá dentro a sensação realmente é bem entranha, você boia sem fazer o mínimo esforço. Na hora de sair, dá pra ver o excesso de sal na pele e cabelos. Ah, se você estiver com algum machucado em qualquer lugar do corpo, se prepara porque vai arder. A segunda parada do passeio é nos Ojos del Salar, que nada mais é que dois buracos redondos enormes cheios de água no meio do nada hahaha. Em um deles, o pessoal pula para tirar o sal da lagoa anterior. Como eu queria a experiência completa, lá vamos nós. Pra quem sabe nadar, é bem tranquilo, mesmo não dando pé. O problema é na hora de sair: quase que escalando um muro de terra cheio de mato. Fiquei toda suja e com um leve arrependimento, já que não havia nada por perto para limpar a lama. Por fim, a última parada é em uma parte do Salar do Atacama que é mais plana e branca. Dali, assistimos o pôr-do-sol tomando um bom Pisco, bebida típica deles.

Laguna Cejar
Boiando no sal
Ojos Del Salar
Pôr-do-sol no Salar de Atacama

No quinto e último dia de passeio pelo Atacama, fui ao Salar de Tara. Esse é um passeio de dia inteiro, não costuma ter saída todos os dias e nele está incluso duas refeições. Ah, importante: não há banheiros em lugar algum do passeio. Isso significa que se você ouvir o chamado da natureza terá que se arranjar em alguma moita ou em alguma pedra, não há outra opção. Apesar desses detalhes, vale muito a pena. Nesse passeio conheci um casal muito bacana, a Cecília e o Luciano, eles eram de Belém/PA. Sabe o engraçado dessas viagens, é que dificilmente você verá as pessoas de novo ou até mesmo conversará com elas de novo. Mas de alguma forma elas são muito importantes pra você ali no momento.

A primeira parada para o café da manhã foi em frente a uma lagoa com muitas pedras com uma espécie de musgo e dunas avermelhadas atrás. A segunda parada é em um deserto com gigantes “torres” de pedra se erguendo em diversos lugares. Conforme vamos andando, em determinado ponto, há varias “torres” juntas que se transformam em “catedrais” esculpidas pela natureza. Nesse momento, um imprevisto acontece: nosso ônibus quebra e por isso, vamos caminhando até o pequeno refúgio que fica ao lado do Salar. Não tive nem como reclamar desse imprevisto porque a caminhada foi fantástica. O Salar de Tara em si não é nada diferente do que já tinha visto anteriormente, o mais legal mesmo foi ver as catedrais de pedra. No refúgio, almoçamos e partirmos de volta a San Pedro.

Primeira parada do passeio do Salar de Tara para o café da manhã
Caminho para o Salar de Tara
Torres de pedra
Catedrais de pedra
Catedrais de pedra
Catedrais de pedra

De volta à cidade, aproveitei minha última noite em San Pedro comendo em um bom restaurante pela primeira vez e admirando as estrelas até de madrugada. Aliás, a noite do Atacama é indescritível, nunca tinha visto um céu tão forrado de estrelas como aquele.

Algumas observações: esse foi o meu relato sobre o Atacama. Outros passeios que podem ser feitos por lá são: aluguel de bicicleta pra dar aquele rolê pela cidade (tem gente que vai até o Valle De La Luna de bicicleta, mas eu acho meio pesado, só se tiver muito preparamento físico), Termas de Puritama, escalada de vulcões e observação das estrelas com telescópio. Esse último, só descobri que existia bem depois e fiquei bem triste de não ter feito. Nos últimos meses também tenho visto pessoas postando fotos de um passeio chamado Lagunas Escondidas. Não vi nenhuma agência divulgando esse passeio quando estive lá, por isso acho que deve ser algo recente.

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